Tuesday, November 27, 2007

forma e fluido



Não é costumepreencher este espaço com revelações de outra espécie que não os espasmos formais que vou lançando aqui e ali. mas certas coisas merecem sublinhados intensos.
contam-se anos desde que ele anunciou que regressaria à minha vida para me abalar, "com modos de trabalhar o suporte,a forma, que intensificam a tensão entre ilusão e crença e valorizam não o flúido, já que esse é mais ou menos independente, mas o grosso que o reveste".
senhor haynes, estou mais uma vez, à sua espera.

Largos anos desde que vi o famoso filme (ilegal) Superstar: the Karen Carpenter Story. Depois o emaranhado Jobriath Stardust Pop Velvet Goldmine. Descobrir Safe, Poison, Assassins, Far from Heaven. Vertigem e o acentuar efeito à lá Tennessee Williams, Jarman, Kazan e Nomi.

Friday, November 02, 2007

Cedo se faz o tarde sentir






A produção do presente, do futuro, deve-se menos à inevitabilidade da linearidade temporal do que à impossibilidade da repetição. A tensão elaborada em torno da relação presente/passado é a mesma tensão estabelecida ente a repetição e a representação.
Repetir o passado é tarefa sem sentido, sem corpo. A memória está ao serviço dessa repetição do passado e nessa missão é infantilizada pela distância, pela incapacidade de corporizar a totalidade da experiência desse passado e se deixar invadir de coisas outras, de natureza inquieta e misteriosa, atribuições de quem as olha, escuta, sente. A empobrecida capacidade de agarrar o que foi não permitirá senão parcimónias recolhas, representações empobrecidas.
Quem se agarra à pretensa repetição do passado é tido por conservador, nostálgicos tacanhos agentes sem sonho. Nem tanto porque se fecha à acção mas pela incapacidade de perceber que a energia intrínseca à acção provém da ruína continuada do estabelecido (e à luz desta ideia), que ela só existe no porvir e não no que provem. Há nesta fascinação um grau de recusa em ser (fixo) por se pressentir o anular. Recusar ser não poderá ser outra coisa do que recusar a espera, recusar a inevitável ruminação, queda e falhanço.
Num sentido anímico, a fascinação do sujeito pelo seu próprio passado ecoa um desejo, ecoa a pulsão de morte. Pulsão de morte não é querer estar morto mas fazer-se substituir por algo que ocupa o seu lugar deixando-a cativo e consciente da invasão. Um permanente desejo de se anular existe porque a condição de ser se equaciona nessa tensão parasitária. O que de comum existe entre o desejo de morte e a obsessiva referência ao passado (ou seja, à reprodução) é este desejo de impedimento, de auto destrutiva acção; de abandono. A reprodução produz representação (não usemos agora o seu potencial político) e a representação encerra, fragiliza o conteúdo do representado. A representação é um ecrã que apaga a cegueira, o véu através do qual o sujeito espreita o mundo.

Esta tensão sente-se no universo de Tennessee Williams, onde as personagens femininas são quase sempre seres marcados de uma inquietude psíquica (uma espécie de reflexo expandido do seu potencial maternal: a transformação geradora de novas entidades). Grande parte da acção destas personagens é assombrada pela eminência do ataque histérico, do colapso. Ainda que compadecido com o equilíbrio, o leitor sabe (e deseja-o) que a personagem se precipite no clímax tortuoso que desencadeará a derrocada de todas as ilusões, todas as repetições que o sujeito se habituara a considerar como sua representação, como seu reflexo. O colapso autofágico sublinha a parte de si que se quer observada, dominadora, ainda que temporariamente, para consolar o presente do sujeito do peso da unidade. Williams apela ao reconhecimento da inevitável necessidade do processo caótico na existência destas personagens. Talvez não tenha encontrado outra forma para justificar o quadro de entendimento do mundo já que ele próprio parece ter dependido de tumultos mais do que pousios.

Em Cedo se faz o tarde sentir procura-se trabalhar este mesmo universo de procura e falhanço. Contudo se em Williams encontramos um fascínio pela expressiva implosão do sujeito, não habita aqui nada que não a delicada e tensa realidade da espera por esse revolver anímico.
Um homem percorre os flancos de um rio procurando um espaço para ficar. Não se percebe expressão no seu rosto. Não existem palavras. Os percursos que faz são imagem da persistente procura por novos e distantes lugares de tudo o que conhecemos e onde no entanto, nos sentimos próximos de nós. Estanca num lugar. Deixa-se tomar pelo ambiente desse mesmo espaço.
No acto da pesca encontramos a imagem perfeita da frustração de ser reconhecido, o falhanço do reconhecimento do nosso desejo. Olhamos, com atenção uma bóia, e de forma mais precária, a direcção de um fio de pesca. E esse movimento do olhar nos situa, dita-nos a localização espacial. Mas esta é uma localização sem identidade, sem diferenciação. O pescador anseia pelo momento em que a linha pique, que a sua estática identificação com a retroacção da direcção da linha se anule, e que a sua presença solitária despique com a presença de um espectador da sua presença. A presa, justifica-lhe a identidade, porque o observa. Quem pesca procura capturar a espera. Da pesca, podemos esperar momentos longos da espera. A pesca demonstra a incerteza de quando um acto de espera se esgota e se transforma num momento de iniciativa. Rapidamente se transformando em outro acto de espera.
Surpreendentemente o encontro com a sua presa é um momento falhado porque esta presa é estática. É uma presença que não tem percepção da existência (do pescador, da sua própria até). O seu desejo torna-se assim reconhecível como falhanço, porque o pescador não tem testemunha da sua longa espera, a confirmação do seu existir, o seu reflexo. Por essa mesma razão, o pescador não encontra desejo de ser, pelo menos sabe que a razão de ser do seu exercício perde valor e procura-o substituindo-se ao frustrante objecto da sua captura. A nossa última imagem é a imagem que ele procura: a do confronto com a sua estática presença; um plano próximo do rosto de olhos abertos, que aguardam sem sentido e direcção. Que aguardam; apenas.

Wednesday, October 10, 2007

Tuesday, October 02, 2007

Ah mar



/Ah Mar/ apresenta uma narrativa visual suportada por um jogo de
palavras. A exclamação /Ah Mar/ aproxima-se foneticamente de Amar. Não
esquecendo a realidade do Mar que serve de mote a esta exposição,
aproximo-me do particular carácter sazonal e regular das marés. A forma
como respondo a esta proposta temática do Mar tem necessariamente que
ver com a forma simbólica como olho o Amor e o relaciono com essa
qualidade sincronizada do mar.

Amar implica ausência. Implica perder. Amar ganha significado na morte,
na sombra sobre o fim do exercício do Amor. Amar é condição de
sobrevivência ao esquecimento e ao falhanço da existência. Viver e
memorizar são circunstâncias do possível, da evasão à morte. Amar
certifica, perpetua. Apesar da necessidade afirmativa do Amar, é na
constância e na simetria, no ritual, que o Amor encontra a sua
possibilidade. Porque o seu sentido depende em absoluto dessa
resistência ao falhanço, ao seu fantasma de perda.

Em /Ah Mar/ apresento dois painéis. Um dos painéis apresenta paisagens
silenciosas da costa e de água, ruínas e pormenores de corpo inerte e
homens que se relacionam. O outro painel introduz um grande silêncio
neste ruído de associações. Um grande caudal de água onde se lê /Ah Mar/
remete-nos para essa proximidade fonética com o Amar mas também para
esse silêncio que o mar traz, essa marca do isolamento, de ausência e
perda.

Thursday, September 27, 2007

Monday, September 17, 2007

Thursday, July 26, 2007

All my independent women


Op.cit Inês Azevedo
lambda print
2007

Muro cam saída







Projecto comissariado pela Sete, para o Teatro Gil Vicente em Coimbra, acompanhando a peça "O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão", com produção de Margarida Mendes Silva e com apresentação no Teatro Académico Gil Vicente nos dias 5, 6 e 7 de Julho.

Saturday, May 19, 2007

Apaixonei-me por uma distância longínqua






































Apaixonei-me por uma distância longínqua - instalação video
Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

Inaug: 26 Maio 2007
Exposição colectiva tendo por referência a obra "História Abreviada de Literatura Portátil" de Vila-Matas.

Com:
Ana Guedes
André Alves
Carla Capela
Carlos Pinheiro
Emanuel Santos
Marta Bernardes
Nuno de Sousa
Pascal Ferreira
Torrie


Press Release sobre "Apaixonei-me por uma distância longínqua"

Portátil não terá tanto que ver com os objectos produzidos mas sobretudo com a qualidade de ser transportável. Quem se atreverá a dizer que o fascínio pelas coisas diminutas ou peculiares reduz o espírito daqueles cujo interesse por tais peculiaridades é manifesto? Diminuir terá também que ver com alguma perplexidade perante o todo; à incapacidade de encanto e correspondência a uma realidade total. O portátil surge como fragmento, como coisa que cabe em mala forjada a osso e a tendão.
Não é o monstruoso que nos choca mas sim a sua evidência, a obliteração que produz com o espaço que ocupa e a ilusão da sua pretensa hegemonia. O gigantismo assalta-nos com a sua voluptuosa presença. Existe um sentimento face ao que é gigante, que nos reduz a um sentido de fragmento. Aquilo que em certa medida se pode ligar a uma perda de capacidade de medir o que se nos apresenta e que por esse mesma insuficiência, reverte sobre nós, a dificuldade de nos medirmos como entidade integral. Aceitar a existência desse vazio constitui um acto sobrenatural; aí reside a possibilidade de novas necessidades emergirem.

Sunday, April 22, 2007

Estou farto de estar sozinho




Estou farto de estar sozinho
um rascunho de uma coisa em processo para o Grande Prémio de Desenho, no Senhorio.

Grande Prémio de Desenho no Senhorio


Grande Prémio de Desenho

no Senhorio
Rua duque de Loulé, 239 2º
Porto

O estado novo que é o antigo



Monday, April 16, 2007

O estado novo que é o antigo




O desejo não nos é remissivo. O modo como nos projectamos nas coisas
externas torna o desejo possível de ser visível para nós: os desejos são projecções.
E essa missão é sempre um falhanço (a de possuir o que se deseja) e esse encontro
é sempre uma ausência (porque ou eu estou lá, na coisa, ou estou aqui em mim, e
observo a coisa). É quase como pedir emprestado.
Pedir coisas emprestadas é sempre um teste. Não é um acto da coisa que se
recebe ou da coisa roubada, e ainda menos a da coisa a que se destina ofertar. Levar
emprestado coloca-me no lugar de fruidor que deseja algo do próximo, numa
substituição temporal que atenua o meu sentido de posse. No fundo, pedir
emprestado é um acto do maior desespero: da coisa que se quer e se terá apenas por
breves momentos. E nada a não ser o desespero, nos valerá nesta missão de desejar
coisas.
Em “O estado novo que é o antigo” eu tento avivar esse sentido de falhanço e
ausência. Julgo ser impossível produzir respostas a questões sem ter presente que
elas existem dentro dos discursos que as produzem. Não no sentido em que uma
resposta é uma solução dada à partida (o que nos leva sempre a questionar o
conceito de descoberta). No sentido de estrutura digo. Conforme Irit Rogoff dizia
num texto a que perdi peugada não é possível aprender nada novo sem que algo
velho se esqueça. Ou estaríamos apenas a adicionar informação e não a repensar
estrutura .
O fenómeno da aprendizagem é um espaço esquisito. Porque é sempre
prospectivo até ao momento em que falha. E se falha, aquilo que não foi integrado
estruturalmente (no tecido do discurso do sujeito, da análise do seu posicionamento
histórico) é descartado, incorrendo na possibilidade de um fenómeno mais
inquietante: o do restauro (de forma talvez até mais robusta) de um estado prévio.
Como dizia a minha cabeleireira, esse é um dos perigos do falhanço da
cicatrização. A ferida é sempre visível. Mas se não houver cicatrização, significa que o couro cabeludo ficou danificado e apenas me resta invejar aqueles que o tem e os tempos em que o meu próprio era sano. Este é um problema comum à da
interpretação e sucessão histórica, à aprendizagem e à fuga a esse exercício.
Não podemos escapar a certas coisas. A história obriga-nos a ouvir e a ver. Mas
não nos obriga a ver e a ouvir de uma maneira fechada. De modo que afirmar que se
viu e que desse modo se sabe, é um traço patriarcal (e da insistência na promoção de
novas formas de verdade mitológica). E uma das marcas da ciência, do marketing em
geral e da coscuvilhice. Por isso prefiro a ausência reificada no excesso de referência à ausência ela mesma ou pelo no tornar a imagem uma espécie de citação
acumuladora e excessiva (porque para além de defeitos, estas estratégias podem ser
sinais de força e resolução).


[Press release]
A história obriga-nos a ouvir e a ver. Mas não nos obriga a ver e a ouvir de uma maneira fechada. Afirmar que se viu e que desse modo, se sabe, é um traço patriarcal. E uma das marcas da ciência, do marketing e da coscuvilhice.
“O estado novo que é o antigo” constitui uma intervenção que relaciona o problema
da interpretação e sucessão histórica, da aprendizagem da mesma e da fuga a esse
exercício.
Apresento uma instalação de desenhos de grande escala que remetem a um
cenário de ausência e (possível) falhanço. Nestes desenhos objectos ordinários são
tomados por uma matéria indecifrável, do mesmo modo que texto se apossa da peça
escultórica que comunga o ambiente literário criado.

Tuesday, April 10, 2007

Tuesday, January 09, 2007

In Transit #28

Thing, controlled by the fear of identification or Helmet









[Invite text]
Dear Friend

You remember that day when you showed me that engraving that Foucault beloved so much? The one depicting a metal structure that tries to straight a tree? I never forgot that image.
Tried to reach you to know what you think about this new project but had no replies. I decided to call it Thing, controlled by the fear of identification or Helmet. Its basis is set on those conversations about Desire nurtured by those vermouth dinners. About the way it establishes representations of groups and forms of knowledge.
Funny how that minimalist affection I had been manifesting was overtook under a clearly more sensitive and even baroque imagery. And as if I tend to think these new productions as thy simple things, the environments born from these journeys are expanded by a poetics of failure and absence. That unease’s me as if there was a charm on defeating definable things. And though, that formality seems to suffice.
I talked to some other friends about all of this. Told them how important it is to negotiate that interest that springs from the escape, the mystery of what is still untold. Must be sounding alike a missionary by now…

(Letter to Francesco, 28 December 2006)



IN.TRANSIT #28
A project by Paulo Mendes
Artes em Partes, Rua Miguel Bombarda
Opening: Saturday 13th January, 16.00