Sunday, April 22, 2007

Estou farto de estar sozinho




Estou farto de estar sozinho
um rascunho de uma coisa em processo para o Grande Prémio de Desenho, no Senhorio.

Grande Prémio de Desenho no Senhorio


Grande Prémio de Desenho

no Senhorio
Rua duque de Loulé, 239 2º
Porto

O estado novo que é o antigo



Monday, April 16, 2007

O estado novo que é o antigo




O desejo não nos é remissivo. O modo como nos projectamos nas coisas
externas torna o desejo possível de ser visível para nós: os desejos são projecções.
E essa missão é sempre um falhanço (a de possuir o que se deseja) e esse encontro
é sempre uma ausência (porque ou eu estou lá, na coisa, ou estou aqui em mim, e
observo a coisa). É quase como pedir emprestado.
Pedir coisas emprestadas é sempre um teste. Não é um acto da coisa que se
recebe ou da coisa roubada, e ainda menos a da coisa a que se destina ofertar. Levar
emprestado coloca-me no lugar de fruidor que deseja algo do próximo, numa
substituição temporal que atenua o meu sentido de posse. No fundo, pedir
emprestado é um acto do maior desespero: da coisa que se quer e se terá apenas por
breves momentos. E nada a não ser o desespero, nos valerá nesta missão de desejar
coisas.
Em “O estado novo que é o antigo” eu tento avivar esse sentido de falhanço e
ausência. Julgo ser impossível produzir respostas a questões sem ter presente que
elas existem dentro dos discursos que as produzem. Não no sentido em que uma
resposta é uma solução dada à partida (o que nos leva sempre a questionar o
conceito de descoberta). No sentido de estrutura digo. Conforme Irit Rogoff dizia
num texto a que perdi peugada não é possível aprender nada novo sem que algo
velho se esqueça. Ou estaríamos apenas a adicionar informação e não a repensar
estrutura .
O fenómeno da aprendizagem é um espaço esquisito. Porque é sempre
prospectivo até ao momento em que falha. E se falha, aquilo que não foi integrado
estruturalmente (no tecido do discurso do sujeito, da análise do seu posicionamento
histórico) é descartado, incorrendo na possibilidade de um fenómeno mais
inquietante: o do restauro (de forma talvez até mais robusta) de um estado prévio.
Como dizia a minha cabeleireira, esse é um dos perigos do falhanço da
cicatrização. A ferida é sempre visível. Mas se não houver cicatrização, significa que o couro cabeludo ficou danificado e apenas me resta invejar aqueles que o tem e os tempos em que o meu próprio era sano. Este é um problema comum à da
interpretação e sucessão histórica, à aprendizagem e à fuga a esse exercício.
Não podemos escapar a certas coisas. A história obriga-nos a ouvir e a ver. Mas
não nos obriga a ver e a ouvir de uma maneira fechada. De modo que afirmar que se
viu e que desse modo se sabe, é um traço patriarcal (e da insistência na promoção de
novas formas de verdade mitológica). E uma das marcas da ciência, do marketing em
geral e da coscuvilhice. Por isso prefiro a ausência reificada no excesso de referência à ausência ela mesma ou pelo no tornar a imagem uma espécie de citação
acumuladora e excessiva (porque para além de defeitos, estas estratégias podem ser
sinais de força e resolução).


[Press release]
A história obriga-nos a ouvir e a ver. Mas não nos obriga a ver e a ouvir de uma maneira fechada. Afirmar que se viu e que desse modo, se sabe, é um traço patriarcal. E uma das marcas da ciência, do marketing e da coscuvilhice.
“O estado novo que é o antigo” constitui uma intervenção que relaciona o problema
da interpretação e sucessão histórica, da aprendizagem da mesma e da fuga a esse
exercício.
Apresento uma instalação de desenhos de grande escala que remetem a um
cenário de ausência e (possível) falhanço. Nestes desenhos objectos ordinários são
tomados por uma matéria indecifrável, do mesmo modo que texto se apossa da peça
escultórica que comunga o ambiente literário criado.

Tuesday, April 10, 2007