Wednesday, October 10, 2007

Tuesday, October 02, 2007

Ah mar



/Ah Mar/ apresenta uma narrativa visual suportada por um jogo de
palavras. A exclamação /Ah Mar/ aproxima-se foneticamente de Amar. Não
esquecendo a realidade do Mar que serve de mote a esta exposição,
aproximo-me do particular carácter sazonal e regular das marés. A forma
como respondo a esta proposta temática do Mar tem necessariamente que
ver com a forma simbólica como olho o Amor e o relaciono com essa
qualidade sincronizada do mar.

Amar implica ausência. Implica perder. Amar ganha significado na morte,
na sombra sobre o fim do exercício do Amor. Amar é condição de
sobrevivência ao esquecimento e ao falhanço da existência. Viver e
memorizar são circunstâncias do possível, da evasão à morte. Amar
certifica, perpetua. Apesar da necessidade afirmativa do Amar, é na
constância e na simetria, no ritual, que o Amor encontra a sua
possibilidade. Porque o seu sentido depende em absoluto dessa
resistência ao falhanço, ao seu fantasma de perda.

Em /Ah Mar/ apresento dois painéis. Um dos painéis apresenta paisagens
silenciosas da costa e de água, ruínas e pormenores de corpo inerte e
homens que se relacionam. O outro painel introduz um grande silêncio
neste ruído de associações. Um grande caudal de água onde se lê /Ah Mar/
remete-nos para essa proximidade fonética com o Amar mas também para
esse silêncio que o mar traz, essa marca do isolamento, de ausência e
perda.